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Petróleo oscila enquanto mercado avalia possível desescalada em guerra no Oriente Médio

Petróleo oscila enquanto mercado avalia possível desescalada em guerra no Oriente Médio
'Os preços do petróleo apresentam forte volatilidade nesta terça-feira (31), à medida que investidores avaliaram a possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrar a guerra com o Irã diante dos choques de oferta causados pelo fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo.

Os contratos futuros do Brent para maio subiam 63 centavos, ou 0,56%, para US$ 112,20 por barril às 6h10 (horário de Brasília), em uma sessão marcada por oscilações entre alta de 2% e queda de 1%. O contrato de maio vence nesta terça-feira e o contrato mais negociado, para junho, estava em US$ 107,31.

Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio avançavam 1,04 centavos, ou 1,01%, para US$ 101,08 por barril, após reverterem quedas anteriores e atingirem o maior nível desde 9 de março.

Analistas afirmaram que os preços reagiram brevemente à possibilidade de fim da guerra, mas qualquer mudança significativa só ocorrerá quando o transporte pelo Estreito de Ormuz for completamente restabelecido.

Trump disse a assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo que o estreito permaneça em grande parte fechado, deixando sua reabertura para um momento posterior, informou o Wall Street Journal nesta segunda-feira (30), citando autoridades do governo.

O presidente dos EUA havia alertado que o país “aniquilaria” as instalações energéticas e os poços de petróleo do Irã caso Teerã não reabrisse a via marítima.

O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã — por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo e grande volume de gás natural liquefeito — fez os contratos do Brent subirem 59% até agora em março, uma alta mensal recorde, enquanto o WTI acumula ganho de 58%, o maior salto desde maio de 2020.

No trimestre, o Brent sobe cerca de 86% e o WTI, 79%.

“Embora os sinais diplomáticos permaneçam mistos, a realidade no terreno indica que a incerteza deve persistir”, disse Sugandha Sachdeva, fundadora da SS WealthStreet, empresa de pesquisa sediada em Nova Délhi.

“Mesmo no caso de desescalada, a reconstrução da infraestrutura danificada levará tempo, mantendo a oferta restrita”.

Destacando os riscos ao fornecimento marítimo de energia, a Kuwait Petroleum Corp informou nesta terça-feira que seu petroleiro totalmente carregado Al Salmi, com capacidade para transportar até 2 milhões de barris, foi atingido por um suposto ataque iraniano em um porto de Dubai. Autoridades também alertaram para possíveis vazamentos de petróleo na área.

Forças houthis do Iêmen, alinhadas ao Irã, atacaram Israel com mísseis no sábado, aumentando as preocupações sobre possíveis interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden para navios que trafegam entre Ásia e Europa via Canal de Suez.

A Arábia Saudita redirecionou suas exportações de petróleo do Golfo por essa rota, com cerca de 4,658 milhões de barris por dia enviados ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, segundo dados da Kpler — um forte aumento em relação à média de 770 mil barris por dia em janeiro e fevereiro.

“Com as reservas remanescentes do mercado sendo gradualmente consumidas, a vulnerabilidade a um fechamento prolongado de Ormuz significa que estamos nos aproximando de uma escassez física de petróleo em uma área geográfica mais ampla, e a tendência de alta dos preços deve se intensificar”, afirmou Lin Ye, vice-presidente de mercados de commodities e petróleo da Rystad Energy.

Enquanto isso, espera-se que os estoques de petróleo bruto dos EUA tenham caído na semana passada, juntamente com os de destilados e gasolina, segundo uma pesquisa preliminar da Reuters divulgada nesta segunda-feira.'



Por Reuters



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