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Juros futuros avançam com ata do Copom e retorno do petróleo a US$ 100 o barril

Juros futuros avançam com ata do Copom e retorno do petróleo a US$ 100 o barril
'A curva de juros futuros brasileira opera em forte alta, em diversos vencimentos, com os investidores dividindo as atenções entre a ata do Copom e as incertezas sobre a duração do conflito no Oriente Médio.

Por volta de 11h (horário de Brasília), a taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, operava 14,170% ante 14,150% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa bateu máxima a 14,240%, uma alta de nove pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, subia a 13,845% de 13,765% do fechamento anterior. Na máxima intradia, o DI subiu a 13,940%, alta de 17 pontos-base.

Já DI para janeiro de 2036, de longo prazo, operava a 13,985% ante 13,088% do fechamento de ontem (23), após subir 18 pontos-base, a 14,060%, na máxima intradia.

O movimento também acompanha o exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também operam em alta. O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – subia a 3,897% ante 3,831% do ajuste anterior, no mesmo horário. Já o retorno do título de dez anos  – referência global para decisões de investimento – 4,388% ante 4,336% da véspera.


Selic

As taxas de DIs reagem à ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Na semana passada, o colegiado decidiu pelo corte de 0,25 ponto percentual nos juros, para Selic a 14,75% ao ano.

Hoje, a ata da decisão ressaltou que a inflação segue acima do centro da meta de 3,0% ao ano, ainda que dentro da banda permitida entre 1,5% e 4,5% ao ano. No entanto, o Comitê reafirma que a condução da política monetária vem contribuindo para a desinflação recente dos preços.

Agora, o BC incluiu uma nova variável na análise da conjuntura: além de acompanhar as decisões de outros Bancos Centrais, o Copom avalia os desdobramentos do conflito do Oriente Médio, algo que influencia no preço do barril do petróleo e, consequentemente, na inflação.

Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.

“Embora o documento sugira haver espaço para uma eventual aceleração dos cortes, a expectativa de que os conflitos no Oriente Médio se prolonguem sustenta, por ora, um cenário base de flexibilização em passos de 25 pontos-base”, disse Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, em comentário escrito.


Conflito no Irã

Em uma nova rodada de declarações, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que nenhuma negociação para o fim da guerra no Oriente Médio ocorreu com os Estados Unidos e afirmou que a informação passada pelo presidente Donald Trump era fake news para acalmar o mercado financeiro.

Ontem (23), Trump anunciou uma ‘trégua’ de cinco dias nos ataques à infraestrutura iraniana. Segundo ele, Washington e Teerã tiveram, nos últimos dois dias, conversas “muito boas e produtivas” a respeito de uma resolução completa e total das hostilidades entre as partes no Oriente Médio. 

Vale lembrar que, no início da guerra, os Estados Unidos afirmaram que os ataques durariam até seis semanas, mas até agora não houve perspectiva concreta de um cessar-fogo.

Além de negar negociações, o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis contra Israel, de acordo com informações do Exército do país. Foram acionadas sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, onde grandes buracos foram abertos em um prédio residencial de vários andares.

O país persa também nomeou um ex-comandante da Guarda Revolucionária e figura sênior de facção política linha-dura para substituir o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, morto em ataques israelenses e norte-americanos na semana passada.

Em reação, os preços do petróleo voltaram a operar no nível de US$ 100 – reforçando o temor de um choque inflacionário global e a permanência de juros mais altos no mundo.'



*Com informações de Reuters
Por Liliane de Lima



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